
Quase duas décadas depois da Operação Caixa de Pandora marcar de forma vergonhosa a história do Distrito Federal, o ex-governador José Roberto Arruda volta a ter o nome jogado nos bastidores das eleições de 2026.
É a velha tentativa de ressuscitar cadáver político. Só que Brasília não esqueceu. E a Justiça também não.
Inelegível. Ponto.
Não importa a articulação, não importa o discurso. Arruda está inelegível.
A condição vem de condenações por improbidade administrativa ligadas diretamente ao escândalo de 2009. Em outubro de 2025 o STJ enterrou de vez qualquer esperança ao rejeitar recurso da defesa e manter a inelegibilidade.
Ou seja: pode até falar, pode até articular. Candidato ele não pode ser. Enquanto a ficha estiver suja, a urna estará fechada.
O legado da Caixa de Pandora
A Operação Caixa de Pandora revelou um esquema de corrupção investigado no âmbito do Governo do Distrito Federal entre 2006 e 2009, tornando-se um dos episódios mais marcantes da história política da capital. As imagens divulgadas à época ganharam repercussão nacional e passaram a fazer parte do debate público sobre o caso.
Os desdobramentos judiciais permanecem até hoje. Em junho deste ano, a Justiça do Distrito Federal manteve condenações por improbidade administrativa e fixou indenização por danos morais coletivos. Dias depois, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) também manteve a indisponibilidade de bens de Arruda e de outros envolvidos, com o objetivo de assegurar eventual ressarcimento ao erário.
Ganância tem preço. E Brasília está cobrando até hoje.
A “cartada final”
Com a desistência de Ibaneis Rocha da disputa ao Senado e a consolidação de Celina Leão como pré-candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal, o nome de Arruda voltou a ser mencionado nos bastidores políticos como uma possível alternativa. No entanto, sua inelegibilidade e o desempenho nas pesquisas de intenção de voto impõem obstáculos significativos a qualquer projeto de retorno ao protagonismo eleitoral.
É a cartada do desespero. Porque a única coisa que Arruda pode fazer em 2026 é pedir voto para os outros. Candidato, a lei não deixa.
E mesmo como cabo eleitoral, esbarra no segundo muro: o eleitor.
O que pensa o eleitor de Brasília
As últimas pesquisas do DF mostram o que as ruas já dizem há anos: rejeição alta e memória longa. o ex-governador aparece com 5,6% das intenções de voto, atrás de Celina Leão, que lidera com 16,8%, e de Leandro Grass, com 8,4%.
O sentimento é claro:
“Tá inelegível” – Não adianta forçar.
“A gente já viu esse filme” – A Caixa de Pandora queimou o filme.
“Queremos quem trabalha”
Brasília aprendeu na dor. E não quer pagar duas vezes pela mesma ganância.
O caso Arruda serve de exemplo: decisão errada no poder vira sentença para a vida inteira.
Entre condenações, recursos negados e a inelegibilidade mantida, o tempo não apagou nada. Só deixou mais claro.
Se o futuro do DF depende de gestão e estabilidade, o passado de Arruda continua sendo o maior obstáculo dele mesmo.
Brasília já deu o veredito em 2009. E em 2026 não vai ser diferente.


















