

O que poderia encerrar com elegância um dos episódios mais curiosos do último debate eleitoral ganhou um novo capítulo. A governadora Celina Leão cumpriu o que prometeu e enviou uma bota para Paula Belmonte, acompanhada de uma dedicatória que falava em união, respeito e na importância de mulheres defenderem umas às outras.
Paula recebeu. Agradeceu? Até mostrou o presente. Mas fez questão de acrescentar que o que queria mesmo era receber o balanço do BRB.
A resposta diz muito sobre o tom que a candidata parece disposta a imprimir à disputa. De um lado, Celina transformou uma troca ocorrida no debate em um gesto simbólico e conciliador. Do outro, Paula encontrou até mesmo no presente uma oportunidade para continuar o embate.
E é justamente aí que cabe uma velha máxima: a arrogância precede a queda.
Fiscalizar o BRB, cobrar transparência e exigir respostas são atitudes legítimas. Mas transformar cada episódio em palco para uma nova provocação pode produzir efeito contrário, especialmente quando o assunto envolve uma instituição importante para o Distrito Federal.
E já que Paula insiste tanto que quer a “conta do BRB”, surge uma pergunta inevitável: será que ela também pretende ajudar a pagar?
A ironia ganha ainda mais força diante do discurso adotado anteriormente em torno de uma possível liquidação do banco. Antes, o debate parecia girar em torno do destino do BRB. Agora, com medidas sendo defendidas para preservar a instituição, Paula quer saber quanto ficou a conta.
Pois bem: querer ver a conta é fácil. O desafio é apresentar uma alternativa para pagá-la, preservar o banco e proteger o patrimônio dos brasilienses.
No fim, a bota enviada por Celina talvez tenha adquirido um simbolismo ainda maior do que o inicialmente imaginado. Na política, é sempre bom olhar onde se pisa. Afinal, entre uma provocação e outra, um passo em falso pode custar caro.


















