
Nas últimas semanas, o debate sobre o futuro do Banco de Brasília (BRB) e o empréstimo de R$ 6,6 bilhões contratado junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ganhou as ruas, as redes sociais e até mesmo as portas das escolas. Em meio a discursos alarmistas, manifestações e críticas de setores da oposição e de sindicatos, uma pergunta precisa ser feita: quantas pessoas realmente buscaram entender os detalhes do acordo antes de decretar o caos?
A narrativa de que o Distrito Federal ficará impedido de realizar concursos públicos ou conceder reajustes salariais pelos próximos 15 anos vem sendo repetida como verdade absoluta. No entanto, o próprio secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, já esclareceu que essa interpretação não corresponde aos termos do acordo firmado para viabilizar a recuperação do BRB.
O que está em jogo não é apenas um banco. O BRB é uma instituição financeira estratégica para Brasília, responsável por movimentar a economia local, financiar investimentos e manter milhares de empregos diretos e indiretos. Permitir que a instituição enfrentasse uma crise sem reação do governo seria uma irresponsabilidade histórica.
Enquanto muitos preferiram apostar no discurso do medo, a governadora Celina Leão assumiu a responsabilidade de enfrentar um problema complexo e buscar uma solução que garantisse estabilidade ao sistema financeiro do Distrito Federal. A articulação envolveu negociações jurídicas, econômicas e institucionais que passaram pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Banco Central e por diversos órgãos de controle.
O que chama atenção é que alguns dos mesmos grupos que hoje criticam a operação parecem ignorar o fato de que uma eventual fragilização do BRB teria consequências muito mais graves para os servidores públicos, para os correntistas e para a economia do DF. Afinal, quem pagaria a conta de uma crise financeira de grandes proporções? Certamente não seriam apenas os gestores públicos.
É legítimo questionar, fiscalizar e cobrar transparência. Isso faz parte da democracia. O que não é legítimo é transformar um debate técnico em uma campanha de desinformação que gera insegurança entre trabalhadores e suas famílias.
Os sindicatos têm papel fundamental na defesa dos servidores. Porém, defender a categoria também significa apresentar informações completas, e não apenas aquelas que reforçam um discurso político. Da mesma forma, deputados distritais que votaram contra as medidas de recuperação do banco precisam explicar qual era a alternativa concreta apresentada por eles para proteger a instituição e evitar riscos ainda maiores para o Distrito Federal.
A população merece respostas objetivas. Se a solução adotada não era a correta, qual seria o plano alternativo? Como garantir a estabilidade do BRB? Como preservar empregos, investimentos e a confiança no sistema financeiro local? Até agora, muitas críticas foram feitas, mas poucas respostas foram apresentadas.
Celina Leão escolheu agir em vez de assistir ao problema crescer. Pode haver divergências sobre os caminhos adotados, mas é impossível negar que houve coragem para enfrentar uma situação que exigia decisões difíceis.
O debate sobre o futuro do BRB deve continuar. Mas ele precisa ser baseado em fatos, números e responsabilidade, não em slogans políticos ou previsões catastróficas que não encontram respaldo nas informações oficiais apresentadas até o momento.
Brasília precisa de um debate sério. E a verdade completa precisa ser contada.


















