
Mais de um ano após a tragédia que chocou o Pará e comoveu milhares de pessoas, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou réu Maycon Douglas Gomes Teixeira, natural de Brasília (DF), acusado de provocar o acidente que matou o adolescente Pedro Henrique. Enquadrado por homicídio doloso qualificado, o acusado passa a responder formalmente pelo crime, em um dos momentos mais importantes do processo que poderá levá-lo ao Tribunal do Júri.
A decisão representa um avanço significativo na busca por justiça da família de Pedro Henrique Rodilha dos Santos, de apenas 14 anos, que teve sua vida interrompida após um grave acidente ocorrido na Estrada de Ajuruteua, em Bragança (PA), no Dia das Mães de 2025.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Maycon Douglas Gomes Teixeira conduzia o veículo em alta velocidade, trafegava pela contramão e apresentava sinais de embriaguez no momento da colisão. Conforme consta nos autos, ele também teria se recusado a realizar o teste do bafômetro.
Pedro Henrique sofreu traumatismo craniano grave e permaneceu internado por cerca de 50 dias em estado crítico. Apesar dos esforços médicos e da intensa corrente de oração mobilizada por familiares e amigos, o adolescente não resistiu aos ferimentos e faleceu em 1º de julho de 2025.
Durante a investigação, as circunstâncias do acidente levaram o Ministério Público a sustentar que o caso não poderia ser tratado como um simples acidente de trânsito. Para a acusação, a combinação de embriaguez ao volante, excesso de velocidade e invasão da pista contrária demonstra que o motorista assumiu conscientemente o risco de produzir o resultado fatal.
Com base nesse entendimento, a denúncia foi apresentada por homicídio qualificado por dolo eventual, modalidade em que o autor responde por assumir o risco de matar.
Ao receber a denúncia, a Justiça reconheceu que existem elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal. Com isso, Maycon passa oficialmente à condição de réu e responderá ao processo criminal perante o Judiciário paraense.
Apesar da gravidade da acusação, Maycon Douglas Gomes Teixeira responde ao processo em liberdade. Preso em flagrante no dia do acidente, ele foi liberado após audiência de custódia mediante pagamento de fiança e, desde então, acompanha o andamento da ação penal fora do sistema prisional.
Atualmente, o acusado responde por homicídio qualificado por dolo eventual. Para o Ministério Público, a combinação de embriaguez ao volante, excesso de velocidade e condução pela contramão demonstra que o motorista ignorou os riscos de sua conduta, culminando na morte do adolescente Pedro Henrique.
A próxima fase será a instrução processual, etapa em que testemunhas serão ouvidas, provas analisadas e o acusado poderá apresentar sua versão dos fatos. Ao final, a Justiça decidirá se ele será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável pelos crimes dolosos contra a vida.
Para familiares e amigos de Pedro Henrique, a decisão representa mais um passo na luta para que o caso não caia no esquecimento e tenha uma resposta compatível com a gravidade dos fatos.
Pedro era reconhecido pelo excelente desempenho escolar, pela dedicação aos estudos e pelo comportamento exemplar. Medalhista em olimpíadas acadêmicas como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e a Olimpíada Canguru, era apontado por professores e familiares como um jovem brilhante, generoso e cheio de sonhos.
Mais do que números e conquistas acadêmicas, Pedro era um filho amado, um amigo querido e um adolescente que carregava sonhos, projetos e um futuro promissor pela frente. Sua morte deixou uma ferida profunda não apenas na família, mas em toda a comunidade que acompanhou sua luta pela vida.
Enquanto o processo segue seu curso na Justiça, a campanha #JustiçaPorPedro continua mobilizando apoiadores nas redes sociais e acompanhando cada novo desdobramento do caso. A mobilização tem sido fundamental para manter viva a memória do adolescente e reforçar o pedido por responsabilização diante da tragédia.
“Pedro tinha sonhos, projetos e uma vida inteira pela frente. Agora, a expectativa da família é que a Justiça faça sua parte e permita que a história do adolescente não termine em impunidade.”


















