
Da vice-governadoria ao comando do Executivo, candidata chega à reta final com o desafio de transformar sua trajetória em um mandato escolhido nas urnas
Por Cida Frausino | Análise política
A voz de uma mulher importa. Na política, essa afirmação ganha outra dimensão quando ela ocupa a cadeira de quem decide. A seis dias do segundo turno para o Governo do Distrito Federal, marcado para 25 de outubro, a trajetória de Celina Leão (PP) permite discutir justamente isso: o espaço das mulheres no exercício do poder.
Celina chegou ao comando do Palácio do Buriti em março, depois de ocupar a vice-governadoria. Antes, passou pela Câmara Legislativa, presidiu a Casa e exerceu mandato de deputada federal. Sua presença na disputa, portanto, tem uma história anterior à condição de sucessora de Ibaneis Rocha. É dessa experiência que nasce a busca por uma identidade própria à frente do Executivo.
Essa é uma das chaves para compreender seu momento político. A passagem de vice a governadora muda responsabilidades, mas também muda a forma como uma liderança é observada. Quem antes compartilhava uma gestão passa a responder diretamente por decisões, prioridades e resultados. Para uma mulher, esse movimento também confronta a expectativa de permanecer em posição secundária nas estruturas de poder.
Em poucos meses, a mudança mais evidente está no lugar que Celina passou a ocupar na política de Brasília: o centro das decisões e da disputa pela continuidade do governo. Interpretar esse movimento como afirmação de autonomia é uma leitura política de sua trajetória. A extensão das mudanças na cidade exige outro critério: entregas verificáveis e efeitos concretos na vida da população.
O primeiro turno deu dimensão eleitoral a esse protagonismo. Celina recebeu 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. O resultado a colocou na liderança da disputa, embora a definição tenha ficado para o segundo turno, contra Leandro Grass (PT).
Há uma diferença relevante entre assumir um governo pela sucessão e conquistar nas urnas um mandato para conduzi-lo. É essa passagem que Celina busca agora. Na última semana de campanha, sua tarefa é apresentar ao eleitor a ligação entre a experiência acumulada, as decisões tomadas no cargo e os compromissos para os próximos quatro anos.
O protagonismo feminino também precisa ser examinado por essa medida. Uma mulher à frente do governo amplia a representação; sua atuação ganha profundidade quando essa presença se traduz em políticas públicas, capacidade de negociação e responsabilidade pelas escolhas feitas.
A eleição permanece aberta à decisão dos cidadãos. Mas a trajetória de Celina já oferece um tema que ultrapassa a contagem regressiva da campanha: mulheres podem construir autoridade própria e disputar a condução do Estado.
A voz da mulher importa. No governo, ela ganha consequência quando participa das decisões que alcançam toda a sociedade











