À frente de produtores de diferentes regiões, Rafael Corsino pede resposta urgente do governo em defesa do alho brasileiro

Garantir que o alho brasileiro continue gerando emprego, renda e oportunidades no campo foi a pauta levada por Rafael Corsino ao governo federal, em Brasília. À frente de produtores de diferentes regiões do país, o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA) cobrou medidas contra a concorrência desleal nas importações e defendeu condições justas para quem produz no Brasil.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Corsino relatou a reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e destacou a urgência de uma resposta. Segundo ele, o setor enfrenta perda de área cultivada e de postos de trabalho, enquanto os agricultores encontram dificuldades para permanecer na atividade.
O encontro integra a atuação da ANAPA para levar as demandas das regiões produtoras aos responsáveis pela política de comércio exterior.
Por que a produção brasileira está sob pressão?

A principal preocupação é a diferença entre os custos das lavouras brasileiras e os preços de parte do produto importado.
Em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em junho, o presidente da Associação Mineira dos Produtores de Alho (Amipa), Flávio Ferreira Silva, afirmou que uma caixa de dez quilos do alho chinês chegava ao Brasil por menos de R$ 100. Naquele momento, segundo ele, o custo de produção mineiro variava entre R$ 140 e R$ 150 por caixa.
A diferença ajuda a explicar a cobrança dos agricultores: quando a receita não cobre as despesas, fica mais difícil financiar o próximo plantio. O risco apontado pelo setor é de redução das lavouras e saída de produtores da atividade.
O que está em jogo?

O Brasil produziu aproximadamente 175 mil toneladas de alho em 2025, com valor de produção de R$ 2,26 bilhões, segundo o IBGE. Goiás respondeu por cerca de R$ 705 milhões, atrás apenas de Minas Gerais nesse indicador. O Distrito Federal registrou R$ 68,8 milhões.
A preocupação, portanto, alcança também o Centro-Oeste. Além da renda dos agricultores, uma retração prolongada pode afetar trabalhadores, fornecedores e negócios que dependem das safras nas cidades produtoras.
Para o consumidor, a discussão envolve a capacidade brasileira de manter sua participação no abastecimento. O próprio setor reconhece a necessidade de importar para complementar a oferta, mas defende condições de concorrência que permitam preservar as lavouras nacionais.
O que a ANAPA quer mudar?
A mobilização busca uma resposta do governo às condições de entrada do alho estrangeiro. Entre os pleitos apresentados pela associação em abril estão a abertura de investigação antidumping sobre o produto argentino e a revisão do compromisso de preços aplicado a fornecedores chineses, conforme registro da Agência FPA.
Dumping é a exportação por preço inferior ao valor normal praticado no mercado de origem. Sua caracterização depende de apuração técnica; um produto ser mais barato que o brasileiro, isoladamente, não comprova a prática.
O Brasil já mantém medidas sobre o alho chinês, prorrogadas em 2025. Elas incluem direito antidumping de US$ 0,78 por quilo e regras específicas para quatro empresas que aderiram a um compromisso de preços.
Mobilização em defesa do produtor brasileiro

A reunião reforça a atuação da ANAPA na busca por condições mais justas de concorrência. Para a entidade, a prioridade é preservar a renda, os empregos e a continuidade da produção nacional de alho.
Ao reunir produtores e apresentar as dificuldades ao ministério, Corsino busca transformar a preocupação do campo em providências. A cobrança da ANAPA é para que os agricultores tenham condições de planejar a próxima safra e continuar produzindo no Brasil.
Veja o vídeo abaixo:
Jornalista: Cida Frausino











