Ausências, votos brancos e nulos ultrapassam 30 mil em Valparaíso e batem recorde na história eleitoral da cidade

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Abstenções, brancos e nulos somaram quase um terço do eleitorado. Quem fica de fora não deixa de ser governado: só deixa de escolher por quem.

Valparaíso de Goiás registrou nas eleições de 4 de outubro o maior volume de eleitores sem voto válido de toda a sua história. Somadas, as abstenções e os votos brancos e nulos ultrapassaram a marca de 30 mil, um retrato preocupante da relação entre parte da população e as urnas.

Os números do TSE mostram o tamanho do problema. Dos 99.106 eleitores de Valparaíso de Goiás, 79.197 foram às urnas (79,91%) e 19.909 não compareceram, uma abstenção de 20,09%. Entre os que foram votar, na eleição para governador, 6.858 votaram em branco (8,66% de quem compareceu) e 4.213 anularam o voto (5,32%). No total, são 30.980 pessoas, cerca de 31% do eleitorado, que não ajudaram a escolher ninguém. 

A comparação com a eleição anterior reforça a tendência. Em 2022, no primeiro turno em Valparaíso de Goiás, 16.546 eleitores não votaram, de um total de 89.249 aptos a votar. Em quatro anos, o número de ausentes cresceu em mais de 3.300 pessoas.

Um “partido” maior que qualquer candidato

Para dimensionar esse contingente: o candidato mais votado para o Senado em Valparaíso teve 29.692 votos. Ou seja, o grupo dos que não registraram voto válido é maior do que o eleitorado do candidato que liderou a disputa pelo Senado na cidade. Se esses eleitores formassem um bloco, teriam peso suficiente para mudar o resultado local de praticamente qualquer disputa. 

E há um equívoco que precisa ser desfeito: mesmo que a maioria dos votos seja nulo, a eleição não é anulada. Brancos e nulos não entram na conta dos votos válidos. Na prática, quem anula ou deixa de votar não está “protestando contra todos”: está entregando a decisão a quem compareceu e escolheu. 

O voto é o principal poder do cidadão
Saúde, educação, segurança, transporte interestadual para o DF, saneamento: tudo isso passa por decisões de pessoas eleitas. Uma cidade que vota pouco tem menos peso na hora de cobrar e negociar investimentos.

Votar é também o primeiro passo para fiscalizar. Quem escolhe acompanha, cobra e tem legitimidade para exigir resultados.

Sem voto, sem porta-voz
O impacto dos votos que não foram para ninguém pesa ainda mais na eleição para a Assembleia Legislativa. Diferente da disputa para governador, a eleição de deputados é proporcional. Cada voto que um candidato da cidade deixa de receber diminui a chance de Valparaíso ter um representante próprio na Alego.

A conta é simples. Mais de 30 mil eleitores da cidade não registraram voto válido. Esse contingente é maior que a votação do mais votado. Distribuídos entre os nomes locais, esses votos poderiam ter mudado o tamanho da bancada do município, ou mesmo garantido uma vaga.

Uma cidade de mais de 200 mil habitantes sem deputado na Assembleia fica sem porta-voz direto onde se decidem verbas, emendas e prioridades do estado. Ela passa a depender de parlamentares de outras regiões, com outras bases e outros compromissos. Para o Entorno do DF, que convive com demandas próprias como transporte, segurança e saúde na divisa com Brasília, isso significa disputar atenção em desvantagem.

Quando o eleitor de Valparaíso não vota, o voto de outras cidades vale mais. E a escolha de quem vai falar por Valparaíso acaba sendo feita por eleitores que não moram aqui.

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