
Declarações de Lula envolvendo Deus e Jesus Cristo levantam uma questão: até onde vai a referência à fé e onde começa a exaltação do próprio governante?
Em 28 de maio de 2025, durante a entrega de um trecho do Ramal do Apodi, na Paraíba, Lula afirmou que Deus havia deixado o sertão sem água porque sabia que ele seria presidente e levaria água à região. A declaração consta até na publicação oficial da Agência Gov.
Meses antes, em 22 de janeiro, ao defender a renegociação das dívidas estaduais, o presidente afirmou que “talvez só Jesus Cristo fizesse” o que seu governo havia feito, caso disputasse a Presidência.
As falas merecem crítica pelo que efetivamente dizem. Associar o sofrimento histórico do sertão à espera pela própria chegada ao poder transforma uma tragédia coletiva em argumento de grandeza pessoal.
Entregar obras e negociar dívidas são responsabilidades de governo. O reconhecimento pode vir da população, mas nenhuma realização administrativa coloca um presidente em posição de reivindicar superioridade espiritual. Na política, humildade também deveria fazer parte do discurso.













