Candidato do PT diz que não será “governador da esquerda”, mas identidade política não se troca como camisa

Foto: Divulgacão vídeo Metrópoles

Na política, o figurino pode mudar em segundos. As explicações exigem um pouco mais. Na publicação do Metrópoles sobre sua sabatina, Leandro Grass aparece de camisa azul e afirma que não será “governador da esquerda”. Para quem disputa pelo PT, a frase merece uma pergunta: por que tanto cuidado com o próprio rótulo?

O azul rende a ironia com a adversária Celina Leão: até no guarda-roupa Grass parece disposto a diminuir a distância. Mas vestir outra cor é fácil. Explicar ao eleitor quais compromissos políticos pretende levar para o governo é uma tarefa mais exigente.

Na mesma declaração, ele reconhece que pertence a um partido de esquerda e afirma que não governaria apenas para quem pensa como ele. Correto. Só que governar para todos é obrigação de qualquer eleito, não uma descoberta de campanha que mereça aplausos.

A fala pode ser lida como uma tentativa de suavizar a identidade partidária para ampliar sua aceitação. Falta, porém, esclarecer o essencial: quais posições do PT Grass defende? De quais discorda? E em quais situações teria independência para contrariar o próprio partido?

Dizer que será “governador do povo” é confortável. Praticamente ninguém se apresenta prometendo governar apenas para a própria militância. O que diferencia um candidato são suas propostas, seus compromissos e a disposição de responder por suas escolhas.

A camisa pode ser azul. A candidatura continua sendo do PT. E o eleitor merece mais do que uma troca de cores acompanhada de uma frase conveniente.

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