Após trajetória no Legislativo e passagem pela vice-governadoria, Celina conquista mandato próprio, amplia seu protagonismo político e assume a responsabilidade de conduzir o DF até 2030

A eleição de Celina Leão (PP) para o Governo do Distrito Federal, no último domingo (25), representa mais do que a definição de quem ocupará o Palácio do Buriti pelos próximos quatro anos. O resultado marca uma nova etapa na trajetória de uma liderança que passou pelo Legislativo distrital, pelo Congresso Nacional e pela vice-governadoria antes de conquistar seu próprio mandato à frente do Executivo.
Com 57,18% dos votos válidos, Celina derrotou Leandro Grass (PT) no segundo turno e confirmou nas urnas a continuidade de seu grupo político no comando do Distrito Federal.
O resultado também marcou uma conquista inédita: pela primeira vez desde a implantação das eleições diretas para governador, em 1990, uma mulher foi eleita para chefiar o Executivo distrital.
A caminhada até esse momento começou muito antes da campanha de 2026. Celina foi eleita deputada distrital em 2010, reeleita em 2014 e posteriormente presidiu a Câmara Legislativa. Em 2018, chegou à Câmara dos Deputados, onde ampliou suas relações políticas e participou de iniciativas relacionadas aos direitos das mulheres.
A aproximação com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) foi decisiva para sua chegada ao Executivo. Em 2022, os dois integraram a chapa vencedora ao Governo do Distrito Federal, com Celina na condição de vice-governadora.
Em março de 2026, a renúncia de Ibaneis abriu caminho para que ela assumisse definitivamente o Palácio do Buriti. A mudança colocou Celina diante de uma nova responsabilidade: deixar a posição de integrante da administração para se tornar a principal responsável pelas decisões do governo.
Nos meses seguintes, sua gestão anunciou medidas nas áreas de saúde, infraestrutura e atendimento à população, incluindo ações para ampliar consultas e cirurgias e o programa GDF na Sua Porta.
Ao mesmo tempo, a governadora enfrentou cobranças relacionadas às filas da saúde, aos serviços públicos e à situação financeira do Banco de Brasília (BRB), questões que permanecem relevantes para o novo mandato.
Na disputa eleitoral, Celina contou com o apoio de diferentes lideranças e partidos, incluindo representantes do campo conservador e aliados do governo anterior. A campanha também teve participação de nomes como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, reforçando a articulação política em torno de sua candidatura.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Celina recebeu 49,93% dos votos válidos. A votação levou a disputa ao segundo turno, quando a candidata ampliou seu percentual e conquistou a vitória definitiva.
A eleição estabelece um novo cenário para a política local. Celina inicia o próximo mandato com a legitimidade de uma vitória direta nas urnas, uma base de apoio na Câmara Legislativa e a responsabilidade de administrar uma capital que reúne demandas complexas em saúde, transporte, educação e desenvolvimento urbano.
Outro aspecto significativo é a presença feminina nos principais cargos políticos do Distrito Federal. Com Celina no Executivo e Damares Alves, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no Senado, o DF terá mulheres ocupando os quatro cargos majoritários de representação local.
Após o resultado eleitoral, Celina afirmou que pretende manter o diálogo com diferentes forças políticas. Em entrevista divulgada nesta quarta-feira (28), declarou que a relação institucional com o governo federal deverá ser conduzida de maneira republicana, apesar das divergências partidárias.
A sinalização ganha importância diante dos desafios que exigem articulação entre o Governo do Distrito Federal, a União e o Legislativo, especialmente em temas que envolvem recursos públicos e investimentos estruturantes.
A vitória eleitoral, portanto, encerra uma etapa e inaugura outra. Se durante a campanha o objetivo era conquistar a confiança da maioria dos eleitores, agora a responsabilidade será transformar propostas em políticas públicas e apresentar resultados mensuráveis.
A história registrará Celina Leão como a primeira mulher eleita governadora do Distrito Federal. O legado de sua administração, por sua vez, será definido pelas decisões tomadas e pelos resultados alcançados nos próximos quatro anos.
Entre a conquista política e a responsabilidade administrativa, começa uma nova fase para o Governo do Distrito Federal.











