Grass quer governar o DF, mas defende um legado que Brasília prefere esquecer

Leandro Grass decidiu apresentar a gestão de Agnelo Queiroz como exemplo para o Distrito Federal. Em um evento ao lado do ex-governador, afirmou que “foi o governo Agnelo” que reconstruiu Brasília. A fala soa como uma tentativa de reescrever um período que deixou problemas concretos para a capital. 

Em 2014, último ano daquela gestão, o Tribunal de Contas do DF alertou Agnelo de que os gastos com pessoal haviam ultrapassado 90% do limite máximo permitido. Uma auditoria apontou possível descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e despesas que não teriam sido registradas como restos a pagar. Já nas contas de 2013, o tribunal havia identificado metas fiscais descumpridas, fragilidades em contratos e atraso ou paralisação de cerca de um terço das metas físicas registradas. É difícil chamar esse histórico de reconstrução sem responder por ele. 

Há ainda um fato que Grass parece preferir deixar fora do discurso: Agnelo teve a inelegibilidade por oito anos mantida pelo TSE por abuso de poder político na campanha de 2014, em um caso envolvendo publicidade institucional. Naquele mesmo ano, ao tentar a reeleição, terminou em terceiro lugar. 

Será que Grass estava em Brasília naquela época para ver o que acontecia com as contas e os serviços públicos? Se estava, por que oferece ao eleitor apenas a versão elogiosa do governo Agnelo?

Brasília não precisa esquecer os alertas, as dificuldades e a condenação eleitoral para ouvir as propostas de Grass. Quem escolhe defender aquele governo como referência deve ter coragem de falar também sobre o que deu errado.

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